domingo, 8 de julho de 2012

VISEU: ELEIÇÕES 2012

Por que apoio Cristiano Vale

Conheci a Vila de Fernandes Belo, no ano de 2005. Logo iniciei uma boa amizade com o senhor Zé Aldo, ex-vice-prefeito do município de Viseu. Sempre que conversávamos ele pedia que eu me interessássemos pelas coisas de nossa vila. Eu  dizia que devido a uma experiência não muito bem sucedida na administração do município de São João de Pirabas, nos anos de 1997/2000, onde ocupei as secretarias de Finanças e posteriormente a de Administração, decidi me manter distante da vida pública. Por isso deixei aquele governo.

Naquele município coordenei a campanha vitoriosa do prefeito Edivaldo Correia e que devido a sua falta compromisso com o povo tomei a iniciativa de iniciar um processo para afastá-lo do cargo, movimento que culminou com sua cassação. Assim era o cenário de São João de Pirabas.

No ano de 2006, coordenei os trabalhos eleitorais da ex-prefeita Astrid Cunha, que disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Pará. Com poucos recursos o grupo que coordenei conseguiu uma votação quase três vezes maior que a votação obtida pelo segundo candidato mais votado, aqui na vila de Fernandes Belo. Quem nos acompanhou naquela luta sabe o quanto ela foi ingrata com o grupo que lhe apoiou.

Confesso que não conhecia o passado político da ex-prefeita. Depois de nosso rompimento no ano de 2008 (essa história também vai ser contada), passei a pesquisar melhor seu passado político. Quanto mais o conhecia mais ficava indignado. Como é que pode!

Uma pessoa que lesou daquela forma o município de Viseu pode ser admirada pelo seu povo? Isso, porém, deve ser objeto de um artigo exclusivo, mostrando todo seu passado como ex-prefeita, mostrando que mal ela fez para o povo de Viseu. Vamos deixar isso mais para a frente.

Naquela época o município de Viseu vivia a imagem do caos administrativo e logo começamos a deixar bem claro qual a nossa maneira de agir. Passei assim, a defender os interesses do povo de Viseu.  Minhas intervenções começaram a mostrar minha posição diante da forma como o povo de Viseu vinha sendo tratado. Minha luta todos os Viseuenses conhecem. Confesso que me sentia orgulhoso quando abordado por pessoas do meio do povo, de localidades que nunca visitei,  que me cumprimentavam como se fossemos velhos amigos. É gente de todos os cantos do município que conhece Antonio Pantoja. Isso sempre foi muito gratificante. Defender os direitos daqueles cidadãos sempre foi a tônica de minhas ações. Sempre procurei estar junto do povo. E isso me deixa confortável diante do povo viseuense.

Em 2009, quando Cristiano Vale assumiu o governo nos mantivemos afastados do cenário político viseuense. Inicialmente fazia parte da coligação, mas que devido a forças maléficas decidi sair do processo. Fiquei esperando para ver o que ia acontecer. O fantasma dos governos anteriores, ainda assombrava o povo de Viseu. Salários atrasados, escolas sucateadas, o caos na saúde, setor agropecuário desamparado, setor pesqueiro sem políticas de incentivo, vicinais intrafegáveis, comércio sofrendo, sentindo a falta de circulação da moeda, desvio de recursos públicos, etc.

Fui vendo que a administração Cristiano Vale, que assumia os destinos de Viseu, exibia outra forma de governar. O povo passou a ser respeitado, os servidores passaram a receber seus salários em dia, o comercio passou a acreditar no viseuense (era muito difícil um servidor ter crédito no comércio local), o trabalho começou a aparecer, a saúde passou a receber atenção do executivo, a educação tomou um novo rumo, obras nas escolas começavam a eram concluídas, reformadas. O professor a ser mais qualificado, enfim, Viseu tomou um novo rumo, pois essa nova forma de governar se traduzia numa palavra: R E S PE I T O!

Foi baseada nesse respeito que se implantou nova forma de governar. Hoje, diferente daqueles tempos, percebemos que Viseu está mais alegre, mais confiante no futuro. O povo viseuense pode dormir na certeza de que ao acordar, o novo dia chegará cheio de esperança.

É apoiado nessa esperança de futuro, que todo cidadão de bom censo, digno, de boa moral, que preza sua família, que gosta de ver seus filhos numa boa escola, que se sente bem quando seus familiares tem perto de si saúde de qualidade, não pode deixar que o passado volte trazendo de volta os fantasmas que sempre provocaram o pânico no viseuense.

Nossa luta produziu frutos, que muitos deles os viseuenses nem sabem:

a)    segurança em Fernandes Belo;

b)    a nomeação de um promotor efetivo para a comarca;

c)    a defesa dos servidores que haviam sido exonerados e ao fim renomeados pelo atual gestor;

d)    e outras ações de impacto.

Isso também vai ser contado aos poucos aos queridos amigos.

Apoiado nesses princípios é que me sinto a vontade para apoiar Cristiano Vale para prefeito de Viseu. Reelegê-lo é nossa meta e para isso fazemos parte de um grupo que deve marchar coeso rumo a vitória no dia 7 se outubro.

O que é bom a gente guarda no coração. Reeleger Cristiano Vale é nossa prioridade!

Eu faço a minha parte. Faça também a sua parte!

sábado, 7 de julho de 2012

ELEIÇÕES : o Glosário eleitoral.


Quem milita em política de vez em quando  se defronta com o anedotário que cerca as eleições e a vida política daqueles que conferem importância ao processo eleitoral. Vejamos alguns exemplos:

 “Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição”.  Marques de Marica

“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...” Nelson Rodrigues

“Começamos a desconfiar das pessoas muito inteligentes quando ficam embaraçadas”. Friedrich Nietzshe

“Em política só ainda não vi boi voar”. Gerson Peres"A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas."
(Alfred de Musset)

"A política serve a um momento no presente, mas uma equação é eterna."
(Albert Einstein)

"Os homens hão de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno." (Henry David Thoreau)

"Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta."
(John Kenneth Galbraith)

"Na política, os ódios comuns são a base das alianças." (Alexis de Tocqueville)

"Com grande freqüência, a política consiste na arte de trair interesses reais e legítimos e de criar outros, imaginários e injustos." (Arturo Graf)

"A política... há muito tempo deixou de ser ciência do bom governo e, em vez disso, tornou-se arte da conquista e da conservação do poder." (Luciano Bianciardi)

"Uma guerra política é aquela em que todos atiram pelos lábios."
(Raymond Moley)

"Política é como o show business: você tem uma estréia fantástica, desliza por algum tempo e acaba num inferno." (Ronald Reagan)

"A ação política é cruel; baseia-se numa competição animal, é preciso derrotar, esmagar, matar, aniquilar o inimigo." (Otto Lara Resende)

"Em política, sempre é preciso deixar um osso para a oposição roer."
(Joseph Joubert)

"Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive para a política ou se vive da política. Nessa oposição não há nada de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, tanto idealmente quanto na prática." (Max Weber)

"Vencer na política não é tudo: é a única coisa." (Richard Nixon)

"A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação." (Robert Louis Stevenson)

"Em política, o que não é possível é falso." (Antonio Cánovas del Castillo)

"Em política, o que começa com o medo acaba, geralmente, com a loucura."
(Samuel Taylor Coleridge)

"Toda a política do governo é cercar-se de garantias para se manter no poder." (Adão Myszak)

"Política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, você só pode ser morto uma vez, mas, em política, muitas vezes." (Winston Churchill)

"A política está acima da consciência." (William Shakespeare)

"A clemência dos príncipes não passa muitas vezes de uma política para conquistar o amor dos povos." (François de La Rochefoucauld)

"Em política, nada é desprezível." (Benjamin Disraeli)

"Na política, a verdade deve esperar o momento em que todos precisem dela."
(Bjornstjerne Bjornson)

"É necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros." (Demóstenes, filósofo grego - que não é o Torres)

"Errar é humano. Culpar outra pessoa é política." (Hubert H. Humpherey)

"Política é como nuvem. Você olha e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou." (Magalhães Pinto)

 “Em política, ingratidão rima com traição” (Cláudio Humberto)
São frases de lideres políticos, filósofos, escritores, economistas, teatrólogos, juristas, gente do povo, mas que encerram uma profundidade impressionante, mas que gostaria de tecer um breve comentário a respeito da última frase: “Em política, ingratidão rima com traição”.
Por ocasião da vigília pelo Registro das candidaturas, lá onde funcionou a central dos trabalhos, o que mais se ouvia eram queixas e reclamações a respeito do apoio dado a certos pré candidatos. Era tão evidente essa situação que o sentimento dominou quase que a todos os demais pré candidatos. Ao ver essa frase, assaltou-me a preocupação de esse ensinamento deve preocupar, afinal, aquele que se acha vítima da ingratidão demonstra forte tendência para a traição. E o cenário político é favorável para esse tipo de atitude. Depois não se poderá culpar aquele que trai, não trai simplesmente por querer trair, mas, muitas vezes o faz impelido pela forte dose de ingratidão que domina sua vontade.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ELEIÇÕES 2012 - As Convenções em Viseu


A CONVENÇÃO DO PR E ALIADOS
O PDT na Convenção em Viseu

No dia 30/06, Viseu realizou suas últimas convenções visando as eleições 2012. Na sede do município aconteceu a Convenção conjunta dos partidos aliados ao Partido da República (PR), que referendou Cristiano Vale para reeleição tendo como vice, Carlinhos do PT, mantendo-se a dobradinha que vem governando o município desde o ano de 2009. A Chapa majoritária constitui-se dos partidos, PR, PT, PSL, PSDB, PDT, PP, PPS, PSC, PV, PTB e PSD.

Verdadeira festa da democracia foi mostrada ao povo de Viseu, com os partidos coligados, reunidos em convenção conjunta que contou com a presença maciça dos pré candidatos que apoiam o chapa Cristiano Vale/Carlinhos do PT. Também compareceram o candidato a prefeito de Belém, Anivaldo Vale, o deputado federal Lúcio Vale, pai e irmão do atual prefeito e candidato a reeleição para governar Viseu.

A festa começou com uma grande carreata que se formou na BR 308, a altura da entrada do Limondeua e de lá, motos, automóveis, caminhões, ônibus, conduziam os simpatizantes da coligação.

Para as eleições proporcionais, foram formadas três coligações:

1.    PR, PSL e PSDB: Ribeiro, Avelino, Jacira, Ana Lira, Delmaria, Zé Horácio, Flávio, Gilberto, Junior Kinka, Maroca, Frank, Dalila, Dominguinhos e Zeca do Zé Aldo, Domingos Leite. PP, PSC, PV

2.    PDT, PT e PP: Cherliane, Antonio Pantoja, Carlinhos da Serra, Zacarias, Antonio Piqui, Gabriel Azevedo, Albertinho, Dona Valdete, Terezinha do Japim, Ozeias do Biteua, Liana Amin, Motora, Jonas e Levi.

3.    PPS, PSC, PV: Kolota, Fábio,  Candido do Itaçu, Ricardo, Zacarias do HBA, Cara Gorda, Neto, Ana Maria e Sarita, Lô do Tio Biléo, Melk, Abud, Antonio do Biteua, Professora Fátima do Bom Bom, chica Dentista, Civan, Roberdan, João da Mata, Eugênia e Elias ACS.

A CONVENÇÃO DO PMDB

Na Vila do Curupaiti, realizou-se também a Convenção do PMDB/PSB, que indicou para prefeita Astrid Cunha, tendo como vice, Diana Amin, ambas do PMDB.

Entretanto, hoje, os jornais da capital do Estado e o site do TSE deram ampla divulgação para a lista do inelegíveis, dentre eles encontra-se a candidata do PMDB, a ex-prefeita do município de Viseu, Astrid Maria da Cunha e Silva.

O REGISTRO DAS CANDIDATURAS

A nota destoante da festa da democracia que indicou os candidatos a prefeito, vice prefeito e vereadores, ficou por conta da falta de organização da equipe responsável pelo registro dos candidatos junto a Justiça Eleitoral. O mal estar tomou conta dos pré candidatos que demonstravam preocupação com o desfecho dos trabalhos. O corre corre dos membros da equipe demonstrou toda a falta de preparo e a desorganização dos responsáveis. Por muito pouco a equipe não fica fora do processo por causa dessa desorganização.

Quem participou do processo eleitoral de 2008 pode perceber que tudo isso aconteceu também naquele ano. Então não foi por falta de conhecimento da rotina de operação do sistema Candex, haja vista que na coordenção dos trabalhos operaram as mesmas pessoas, as quais atribui-se completo dominio da operação.

A efetivação de um registro no sistema Candex não demora mais que dois minutos, daí a estranheza no desenvolvimento da operacionalização do registro das candidaturas, o que se refletiva no desespero dos pré candidatos aos cargos eletivos, commo risco de ficar de fora das eleições 2012.


Os candidatos devem se manter atentos para evitar surpresas, pois o corre corre do final dos trabalhos pode trazer algumas desagradáveis surpresas.

Nas próximas campanhas deve haver uma procupação maior, não só dos pré candidatos, mas principalmente dos presidentes de partidos que deverão manter mais estreita vigilancia sobre o desenrolar dos trabalhos, evitando a concentração de tarefas que só atrapalha o processo e o que é  pior, revela um certo "ar ditatorial" por parte da coordenação. A contribuição de cada partido é muito importante para o desenrolar do processo eleitoral.
Até o momento em que estava sendo postada essa matéria , o sistema Candex ainda não mostrava os candidatos registrados em Viseu.
O Manto do PDT

Antonio Pantoja e Cherliane (PDT)



domingo, 10 de junho de 2012

MARGARIDA SCHIVAZAPPA: Segunda temporada da peça Acorde Margarida



A segunda temporada da peça Acorde Margarida, peça de autoria do premiado autor paraense Carlos Correia Santos, com direção de Hudson Andrade, encenada no Teatro Cláudio Barradas, de 7 a 10 de junho, constitui-se mais uma vez sucesso de público e  crítica.

A peça, livremente inspirada na obra de nossa autoria, Margarida Schivazappa: A primeira dama do teatro paraense, coloca mais um pouco de luz no trabalho daquela por muitos considerada a grande Diva do teatro paraense é mostrada pela revista PARA+, edição de nº 123, revelando ao grande público um pouco mais sobre legado da notável Mestra.

A pesquisa está em sua fase final de editoração gráfica, com lançamento que deve coincidir com a reabertura do teatro Margarida Schivazappa, que se encontra fechado para reforma.

LEITURAS QUE VALEM A PENA


Gente de 1932

            No dia 24 de fevereiro de 1932, o poeta Mário de Andrade aderiu ao plãoque-plãoque. A expressão é dele. Escreveu em seu modo modernista: “Toda gente da rua se dirigia para o comício e não se via uma cara só. O que se via era aquele ruminante ondular de ombros, e os passos batebatendo plãoque-plãoque, no revestimento caro da rua plãoque-plãoque, plãoque-plãoque”, a cidade de são Paulo estava tomada de uma febre. Sucediam-se os comícios contra o regime de Getúlio Vargas. No dia 9 de julho, as manifestações desbocaram numa guerra. São Paulo pegou em armas e, nos quase três meses seguintes, lutou contra o resto do Brasil.

            A chamada Revolução de 1932 completa oitenta anos no mês que vem. Se a ideia era não mais que a reconstitucionalização do país, como apregoavam as lideranças paulistas, ou a reação de uma oligarquia que se imaginava ameaçada, é assuntos para outros e mais doutos espaços. Neste, mais modesto, vai interessar o lado em que estavam certos personagens, e o comportamento que tiveram. Entre os poetas, se são Paulo tinha Mário de Andrade, a do resto do Brasil tinha Carlos Drummond de Andrade. Como assessor principal do então secretário de justiça de Minas Gerais, Gustavo Capanema, Drummond esteve, em agosto, em visita ao túnel ferroviário da Mantiqueira – local de uma longa batalha, na divisa entre Minas e São Paulo. Drummond redigiu texto à respeito, e leu-o no rádio: “Eu estive diante do Túnel e vi o soldado lutando. Ele não me viu porque estava lutando. (...) Mineiros estão lutando lá longe, nas alturas, aonde não chegam boatos nem se insinuam as vacilações, (...) vamos ser, como esse soldado, diretos e positivos”.

Em posições de destaque, no conflito, temos uma curiosa concentração de ancestrais de futuros presidentes da República. Um dos principais chefes militares do lado rebelde era o Coronel Euclides Figueiredo, pai do futuro presidente João Figueiredo. Euclides, como o filho, era carioca, mas alinhou-se do lado paulista. Do mesmo lado estava Lindolfo Collor, avô do futuro presidente Fernando Collor de Melo. Lindolfo era gaucho e, com um grupo de outros dissidentes do Rio Grande do Sul, lutou em vão para alinhá-lo com São Paulo. Do lado oposto o general Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso, tio-avô do futuro presidente Fernando Henrique Cardoso, era ministro da guerra de Getúlio. Fernando Henrique nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu e fez carreira em São Paulo. Já o tio-avô combatia São Paulo. A diversidade de origens e posições no conflito reflete a barafunda própria das guerras civis.

Entre as figuras de menor destaque no episódio vamos encontrar, lutando entre as forças governistas, o capitão Dilermando de Assis. No Exército ele foi apenas mais um, mas na história do Brasil já assegurara seu lugar, como o homem que matou Euclides da Cunha. Em seu excelente livro 11932 – A Guerra Civil Brasileira, o brasilianista Stanley Hilton registra uma declaração de Dilermando a respeito da crueldade das “requisições” de bens particulares em apoio ao esforço de guerra: “As requisições transformaram-se em verdadeiro saque oficializado, documentado, porque o governo em geral não erra nas (sic) paga”. Era a reincidência no crime. Não contente em matar o autor de Os Sertões, investia agora contra a língua portuguesa, um dos grandes amores do escritor.

            Outro personagem menor no conflito foi um oficial de 23 anos, José Vicente de Faria Lima. Esse oficial, destinado a uma carreira na Força Aérea em que chegaria a brigadeiro, não é outro senão o operoso prefeito de São Paulo, que entre outras obras, rasgou a majestosa avenida que leva seu nome. Em 1932, o carioca Faria Lima estava engajado em missões de bombardeio da aviação governista contra posições paulistas. Em terra, por falar em aviões, encontrava-se Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação. Com a saúde física e mental abalada, fora alojado pela família numa casa alugada no então sossegado balneário de Guarujá. No dia 14 de julho, ele redigiu um apelo pela concórdia entre os litigantes. O trecho em que disse “somente pela lei magna” os problemas nacionais podem ser resolvidos foi interpretado como apoio à causa paulista. Pode ser. No dia 23 de julho, burlando a vigilância do sobrinho que o acompanhava, refugiou-se no banheiro e enforcou-se com uma gravata. Dizem que não aguentou o ronco dos aviões que rondavam o Porto de Santos, ali perto. Pode ser.

DE TOLEDO, Roberto Pompeu. Gente de 1932. Revista VEJA. Edição 2273 – ano 45 – nº 24. Editora Abril. São Paulo – SP. 13 de junho de 2012.

           

sábado, 9 de junho de 2012

Um lembrete para Lula — “Quos volunt di perdere dementant prius”


Nem sempre concordo com o jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira, mas admito que já há muito ele tem se dedicado a temas que considero pertinentes. E tem se posicionado sobre eles com a devida responsabilidade. Mais: Gabeira fez parte da geração que escolheu o caminho da ditadura comunista para “corrigir o Brasil”. Não o aplaudo por seu suposto mea-culpa — esse nunca foi o ponto. Eu o aplaudo por sua adesão realmente sincera, sempre comprovada, aos valores universais da democracia. Infelizmente, não é o padrão. Muitos dos que são hoje beneficiários da democracia a tem como mero valor tático.
No Estadão de hoje, ele escreve um excelente artigo intitulado “Lula e nosso futuro comum”. Correto da primeira à última linha, que remete a um ditado latino, sem autoria: “Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir”, ou em latim: “Quos volunt di perdere dementant prius”. A citação no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”. O problema de “deus”, no singular, é que a frase parece remeter ao Deus único, este nosso (ou meu, hehe), não àqueles vários do paganismo, que viviam atazanando os homens. Mas isso também tem explicação. Uma das variantes do ditado era com Júpiter: “Quem vult Jupiter…”. E Júpiter, em certo sentido, era “o deus” porque senhor do Olimpo.

A frase é muitas vezes atribuída a Eurípides, autor de coisas absolutamente notáveis. Não escreveu essa, mas certamente a subscreveria. Ao artigo de Gabeira.

O ponto de partida é uma frase de Lula: “Não deixarei que um tucano assuma de novo a Presidência”. Lembro, no entanto, que não sou de pegar no pé de Lula por suas frases. Cheguei a propor um “habeas língua” para o então presidente na sua fase mais punk, quando disse que a mãe nasceu analfabeta e que se a Terra fosse quadrada a poluição não circularia pelo mundo. Lembro também que hoje concordo com o filósofo americano Richard Rorty: não há nada de particular que os intelectuais saibam e todo mundo não saiba. Refiro-me à ilusão de conhecer as leis da História, deter segredos profundos sobre o que dinamiza seu curso e dominar em detalhes os cenários futuros da humanidade.


Nesse sentido, a eleição de Lula, um homem do povo, sem educação formal superior, não correspondeu a essa constatação moderna de Rorty. Isso porque, apesar de sua simplicidade, Lula encarnava a classe salvadora no sonho dos intelectuais, via luta de classes como dínamo da História humana, e traçava o mesmo futuro paradisíaco para o socialismo. Na verdade, Lula falava a linguagem dos intelectuais. Seus comentários que despertaram risos e ironias no passado eram defendidos pelos intelectuais com o argumento de que, apesar de pequenos enganos, Lula era rigorosamente fundamentado na questão essencial: o rumo da História humana.
A verdade é que a chegada do PT ao poder o consagrou como um partido social-democrata e, ironicamente, a social-democracia foi o mais poderoso instrumento do capitalismo para neutralizar os comunistas no movimento operário. São mudanças de rumo que não incomodam muito quando se chega ao poder. O capitalismo é substituído pelas elites e o proletariado salvador, pelos consumidores das classes C e D. Os sindicalistas vão ao paraíso de acordo com os critérios da cultura nacional, consagrados pela canção: É necessário uma viração pro Nestor,/ que está vivendo em grande dificuldade.

Se usarmos a fórmula tradicional para atenuar o discurso de Lula, diremos que o ex-presidente queria expressar, com sua frase sobre um tucano na Presidência, que faria todo o esforço para a vitória do seu partido e para esclarecer os eleitores sobre a inconveniência de eleger o adversário. Lula sabe que ninguém manda no processo eleitoral. São os eleitores que decidem se alguém ocupará a Presidência. Foi só um rápido surto autoritário, talvez estimulado pelo tom de programa de TV, luzes e uma plateia receptiva.
Se o candidato tucano for, como tudo indica, o senador Aécio Neves, também eu, em trincheira diferente da de Lula, farei todo o esforço para que o tucano não chegue à Presidência. Aécio foi um dos artífices na batalha para poupar Sérgio Cabral da CPI e confirmou, com essa manobra, a suspeita de que não é muito diferente do PT no que diz respeito aos critérios de alianças e ao uso da corrupção dos aliados para fortalecer seu projeto de poder. Tudo o que se pode fazer, porém, é tornar clara a situação para o eleitor, pois só ele, em sua soberania, vai decidir quem será o eleito.

Na verdade, essa batalha será travada também na esfera da economia. Vivemos um momento singular na História do mundo. A crise mundial opõe defensores da austeridade, como Angela Merkel, e os que defendem mais gastos e investimentos, dentro da visão keynesiana de que a austeridade deve ser implantada no auge do crescimento, e não durante o período depressivo. O PT dirigiu o País num período de crescimento e muitos gastos, não tanto no investimento, mas no consumo. É possível que esse modelo de estímulo à economia tenha alcançado seus limites.
Muito possivelmente, ainda, o curso dos acontecimentos não dependerá tanto da vontade de Lula nem dos nossos esforços individuais. A democracia prevê alternância no poder. E a análise de como essa alternância se dá na prática revela, em muitos casos, uma gangorra entre austeridade e gastança. De modo geral, a crise derrota um governo austero e coloca seu oposto no poder, como na França. Mas às vezes derrota um governo social-democrata e elege seu adversário direto, como na Espanha.
Pode ser que o esgotamento do modelo de estímulo ao consumo abra espaço para discurso de reformas fiscal e trabalhista, de foco em educação e infraestrutura, enfim, de uma fase de austeridade. E não é totalmente impossível que um partido de oposição chegue ao governo. Restaria ao PT, nesse caso, um grande consolo: ao cabo de um período de austeridade, o partido teria grandes chances de voltar ao poder com seu discurso do “conosco ninguém pode”, do “vamos que vamos”, “nunca antes neste país”… Não estou afirmando que esse mecanismo vai prevalecer, é uma das possibilidades no horizonte. A outra é o próprio PT assumir algumas das diretivas de austeridade e conduzir o processo sem necessariamente deixar o poder.

Por mais que a crise seja aguda, o apelo ao consumo e à manutenção de intensas políticas sociais é muito forte na imaginação popular. O discurso de austeridade só tem espaço eleitoral quando as coisas parecem ter degringolado.

O futuro está aberto e não será definido pela exclusiva vontade de Lula. Com todo o respeito ao Ratinho e sua plateia, o povo brasileiro é mais diverso e complexo. Se é verdade que a História não se define nas academias intelectuais, isso não significa que ela tenha passado a ser resolvida nos programas de auditório.

No script do socialismo real o proletariado foi substituído pelo partido, o partido pelo comitê central e o comitê central por um só homem. No script da social-democracia tropical Lula substituiu o proletariado, o partido, o comitê central e o próprio povo brasileiro ao dizer que não deixará um tucano voltar à Presidência. Se avaliar com tranquilidade o que disse, Lula vai perceber que sua frase não passa de uma bravata.

O que faz um homem tão popular e bem-sucedido bravatear no Programa do Ratinho é um mistério da mente humana que não tenho condições de decifrar. A única pista que me vem à cabeça está na sabedoria grega: os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.

AZEVEDO, Reinaldo. Um lembrete para Lula — “Quos volunt di perdere dementant prius” Revista VEJA. edição 2273. ano 45. nº 24, Editora abril. São Paulo, 6.06.2012.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

VISEU: O que esperamos de nossos candidatos


Fala-se muito na ascensão das classes menos favorecidas, formando uma nova “classe média”, realizada por degraus que levam a outro patamar social e econômico (cultural não ouço falar). Em teoria seria um grande passo para reduzir a catastrófica desigualdade que aqui reina. Porém receio que, do modo como está se realizando, seja uma ilusão que pode acabar em sérios problemas para quem mereceria coisa melhor. Todos desejam uma vida digna para os despossuídos, boa escolaridade para os iletrados, serviços públicos ótimos para a população inteira, isto é, saúde, educação, transporte, energia elétrica, segurança, saneamento (água e esgoto), agricultura com assistência técnica, e tudo o mais que precisam cidadãos decentes.

Mas pouco se fala na construção de uma vida mais segura. Pois tudo é uma construção: vida pessoal, a profissão, os ganhos, as relações de amor e amizade, a família, a velhice (naturalmente tudo isso sujeito a fatalidades como doenças e outras que ninguém controla). Mas, mesmo em tempos da fatalidade, ter um pouco de economia, ter uma casinha, ter um diploma, ter objetivos certamente ajuda a enfrentar seja o que for. Podemos ser derrotados, mas não estaremos jogados na cova dos leões do destino, totalmente desarmados. Mas corremos atrás de tanta conversa vã, não protegidos, mas embaixo de peneiras com grandes furos, que só um cego ou um grande tolo não vê.

A mais forte raiz de tantos dos nossos males é a falta de informação e orientação, isto é, de educação. E o melhor remédio é investir fortemente e abundantemente, decididamente, em educação: impossível repetir isso em demasia. Não tenho ilusão de que algo mude, mas deixo aqui meu solitário (e antiquado) apelo.

Então ao pensarmos o que queremos para o nosso futuro é importante avaliar quem está se apresentando para defender nossos interesses. São merecedores de nossa confiança?

Texto baseado em:
LUFT, Lya. Degraus de ilusão. Revista VEJA, edição 2272. ano 45. nº 23. São Paulo. 6 de junho de 2012.