terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

FORUM DE VISEU: A justiça em ruínas



Dia 05 de agosto de 2008. Menor assassinado por um policial provoca a revolta da população que teve como conseqüência a destruição do Fórum e da delegacia do de policia civil do município.

A revolta da população foi tão grande que Juiz e Promotor tiveram que ser retirados da cidade em um helicóptero da Polícia Militar e levados para a vizinha cidade de Bragança.
Viseu: As ruinas da justiça
Viseu: Até quando?
Hoje, mais de dois anos depois do acontecimento, os escombros do prédio do Fórum da comarca permanecem como um momento a falta de respeito ao povo viseuense. Freqüentemente lemos nos jornais da capital que o judiciário inaugura aqui, reforma ali, melhora acolá, mas para Viseu ninguém olha. Vive como se estivesse abandonado pelo poder judiciário.

Seria bastante interessante se a nossa presidente do Tribunal de Justiça, nosso Procurador Geral do Ministério Público ou o Defensor Geral da Defensoria Pública do Estado do Pará pudessem sentir o ambiente em que esses órgãos funcionam desde o dia 05 de agosto de 2008. Venham conhecer a realidade de Viseu!
Viseu: Escombros do judiciário

A maior sala, creio que com dimensões 3x4m (acho até exagerado), atua o magistrado, onde naquele recinto realiza suas audiências e dá seu expediente forense; numa sala menor ainda trabalha o promotor de justiça e sua assistente. O jurisdicionado (o povo), quando quer falar com o promotor fica do lado de fora da sala (no corredor). Sem exagero!

Em outra sala de dimensões bem reduzidas, trabalha o Defensor Público. O assistido (a população carente do município) tem que padecer junto com o defensor, espremido em uma saleta.

Em um ambiente desses, louve-se, repito, a atuação desses heróis, que levam até àquele longínquo rincão, as notícias de que o direito existe e pode ser acessível ao povo carente. Eles como membros de instituições da mais alta representatividade, esforçam-se para levar ao jurisdicionado, ao assistido, ao cidadão um pouco de cidadania.

O juiz, Dr. Lauro, e o defensor público Dr. Dico Cirino, podem ser chamados de os verdadeiros super heróis, já que trabalhar nessas condições somente para heróis saídos das paginas da literatura.

Senhora Presidente do TJE, Dra. Raimunda Noronha; senhor Procurador Geral do Ministério Público, Dr. Geraldo de Mendonça Rocha; e senhor Defensor Geral da Defensoria Pública do Estado do Pará, Dr. Antonio Cardoso: Que seus olhos se voltem para Viseu!
Viseu: Será que merecemos isso?







segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS: Federação pede reunião com o Presidente da ALEPA Dep. Manoel Pioneiro

            A direção da Federação das Associações Emancipalistas do Estado do Pará - FAEPARA requer ao presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Pará que abra agenda para receber os representantes dos distritos que pleiteiam sua emancipação política. Na reunião a FAEPARÁ buscara estabelecer em conjunto com a Comissão de Divisão Administrativa do Estado e Assuntos Municipais – CDEAM agenda mínima para a realização dos estudos de viabilidade técnica dos projetos em tramitação na casa e consequente realização dos plebiscitos.


Miguel Costa e Antonio Pantoja - Presidente e vice da FAEPARÁ
            Deverá se tratada ainda nesse encontro a questão referente a formação da Comissão de dez (10) deputados estaduais que comporão a comissão criada com essa finalidade.

sábado, 29 de janeiro de 2011

PAYSSANDU VENCE FORA DE CASA E SEGUE COM 100% DE APROVEITAMENTO


Belém, PA, 29 (AFI) – A segunda rodada da Taça Cidade de Belém – primeiro turno da segunda fase do Campeonato Paraense – teve sequência, neste sábado, com o jogo envolvendo um dos dois clubes grandes do Estado. O Paysandu visitou o Independente, no Estádio Navegantão, em Tucuruí, e venceu os anfitriões, por 3 a 2.
O time da casa abriu o placar com Ró, aos 11 minutos, mas ainda na primeira etapa o Paysandu deixou tudo igual, quando Tiago Potiguar marcou aos 41. No segundo tempo, Mendes, aos 19, e Sandro, aos 31, fizeram para o Paapão. No final do jogo, aos 43, Fábio descontou em cobranaça de pênalti.
Atual bicampeão paraense, o Papão, do técnico Sérgio Cosme, estreou com o pé-direito no Estadual. Jogando na Curuzu, o time goleou o Castanhal, por 4 a 2. Enquanto isso, o Independente tinha feito ainda mais bonito. Atropelou o Cametá, por 5 a 1, fora de casa.
A rodada continuará no domingo, com outras duas partidas. O Remo também jogará fora de casa contra o Cametá, no Estádio Parque do Bacurau, às 16 horas. Já a Tuna Luso recebe o Castanhal, às 9h30, no Estádio Souza, em Belém.



Seis feridos em desabamento de prédio já foram atendidos

Imagens do local do acidente (Foto Portal ORM)
Imagens do local do acidente (Foto Portal ORM)

A situação no perímetro próximo ao local onde um prédio em construção desabou na tarde deste sábado (29) é tensa e desoladora. A ameaça de novos desabamentos na Travessa 3 de Maio entre José Malcher e Magalhães Barata deixa em pânico principalmente moradores e fez com que o Corpo de Bombeiros isolasse a área. O prédio que caiu, Real Class, tinha 34 andares e pertencia a empresa Real Engenharia. Seis pessoas foram removidas com ferimentos. Uma delas estava na casa vizinha, que foi atingida, e as outras passavam pelo local no momento do acidente. Até agora, nenhum corpo foi encontrado.

Dos seis atendidos, três foram encaminhados ao PSM da 14 de Março. Raimundo Nonato Pantoja já foi liberado. Maria Lemos de Olivera, 52 anos, foi pisoteada durante a correria no momento em que o edifício Blumenau, vizinho ao Real Class, ameaçou tombar. Ela está em observação.
Arlene Araújo Costa, 74 anos, mora no prédio vizinho do que desabou e passou mal. Ela também está em observação.



Veja imagens feitas pelo Libcop!

Moradores de prédios vizinhos relataram os momentos assustadores passaram. 'Eu estava assistindo televisão quando ouvi um barulho muito grande. Pensava que era uma explosão. Todos os moradores correram para a janela para ver o que era e esó vimos uma nuvem de fumaça branca que cobriu toda a área', contou o webdesigner Fabrício Bezerra.

Fonte: Redação Portal ORM


PRÉDIO EM CONSTRUÇÃO DESABA EM BELÉM

Defesa Civil do Pará diz que ao menos cinco pessoas estão nos escombros. Duas casas vizinhas foram atingidas e duas pessoas saíram feridas.


"Temos a informação incial de que pelo menos cinco pessoas estejam soterradas. Duas pessoas, que estavam em casas vizinhas, conseguiram sair com ferimentos. Isolamos toda a área porque há riscos de novos desabamentos."
Equipes da Cruz Vermelha, do Corpo de Bombeiros e das polícias civil e militar estão no local para ajudar na retirada dos destroços do prédio, segundo informações da Defesa Civil.

Ainda de acordo com a Defesa Civil, o prédio fica na Travessa 3 de Maio, entre as avenidas Magalhães Barata e Governador José Malcher. Por conta da interdição das vias mais próximas, há registro de congestionamento na região do desabamento, nos bairros Nazaré e Comércio.

Obra regular

Segundo José Viana, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) do Pará, a obra do prédio está regular. "Pedi para analisar a documentação e está tudo certo. No que diz respeito ao controle do conselho, a construção está com todos os registros regulares."

Viana disse ainda que o prédio ao lado do que desabou será avaliado para saber se há risco de desabamento. "Não cheguei a entrar no prédio por questões de segurança. Apenas quem teve acesso so imóvel foram equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Os peritos dos bombeiros é que deveram fazer um laudo pericial sobre a situação estrutural do prédio vizinho ao que desabou."

O presidente do Crea afirmou que o prédio estaria em fase de acabamento. "Não tenho muitas informações sobre o estágio da obra. Só sei que a construtora é conceituada, tem muitos empreendimentos de luxo já entregues em Belém, sem registro de problemas ou reclamações. Pelo que sei, o prédio estava na etapa de acabamento."

Testemunhas

A operadora de caixa Ivani Figueiredo, 40 anos, que trabalha no restaurante Rêsto do Parque, disse que ouviu o barulho do desabamento. "Como estava começando a chover, imaginei que fosse um trovão mais forte. Chegamos até a comentar aqui entre os funcionários. Um dos clientes, que estava sentado na última mesa do salão, disse que viu uma nuvem de poeira subindo depois do barulho."

Ivani afirmou ainda que alguns clientes chegaram a sair do restaurante para tirar os carros que estavam estacionados nas proximidades. "Os clientes que chegaram depois reclamaram que ficaram presos no congestionamento provocado pela interdição das ruas da região."

Fonte: Do G1, em São Paulo

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

QUENIANA TEM FAMA DE 'AMALDIÇOADA' APÓS TER SEIS PARES DE GÊMEOS

Queniana tem fama de 'amaldiçoada' após ter seis pares de gêmeos. Gladys Bulynia foi abandonada pela família e pelo marido; grupo étnico crê que nascimento de gêmeos é maldição.
A maioria das mulheres teria dificuldades em lidar com seis pares de gêmeos, mas, para a queniana, Gladys Bulinya isso é ainda mais complicado - em seu país, muitas pessoas creem que o nascimento de gêmeos é uma maldição.

Sua família não quer mais contatos com ela e até seu marido a deixou após o nascimento do sexto par de gêmeos, temendo que ela estivesse amaldiçoada. Bulynia, de 35 anos, vive sozinha com 10 de seus 12 filhos em uma casa de sapé de um cômodo a poucos quilômetros do lago Victoria.

Gladys Bulynia com 10 de seus 12 filhos
 (Foto: BBC).
Sentada em frente à pequena casa no vilarejo de Nzoia, ela conta que seus primeiros filhos, John e James, nasceram em 1993. Ela explica que ficou grávida quando ainda era uma estudante secundarista, mas seu namorado era jovem demais para se casar com ela. Sua família então ordenou que ela deixasse os bebês no hospital local para adoção. Eles explicaram a ela que o povo Bukusu, ao qual sua família pertence, acredita que os gêmeos trazem azar e que, a não ser que ao menos um deles morra, isso significa morte certa para um ou para ambos os pais. A tradição Bukusu de eliminar o segundo gêmeo não é mais praticada, apesar de casos ocasionais de infanticídio ainda serem registrados em áreas rurais do oeste do Quênia.

EXPULSÃO - Por sorte, diz Bulynia, quando o pai de seu namorado soube que os gêmeos haviam sido abandonados, ele os tomou e vem cuidando de ambos desde então. Ele é de um grupo étnico diferente, os Kalenjin. Mas seus problemas não acabaram aí. Cinco anos depois ela se apaixonou e se casou com um professor de escola primária. Ela vivia com a família do marido quando deu à luz seu segundo par de gêmeos, Duncan e Dennis. Temendo que ela trouxesse a eles um mau agouro e que alguém da família morresse, seus sogros a expulsaram de casa. 'Fui colocada em um mototáxi com meus gêmeos e mandada para a casa do meu pai', conta ela.

Sua família, porém, teve pouca simpatia por ela. Novamente temendo que ela estivesse amaldiçoada, seus pais não permitiram que ela ficasse na casa da família. Em vez disso, eles rapidamente arrumaram um novo casamento para ela, com um homem 20 anos mais velho. O homem concordou porque já não esperava se casar em sua idade. Mas outros gêmeos vieram. 'Mercy e Faith nasceram em 2003, Carren e Ivy em 2005, e Purpose e Swin em 2007', conta Bulyinia. Mas foi a chegada de Baraka e Prince, no ano passado, que levou o marido a deixá-la. 'Eu agora tenho que fazer vários trabalhos para alimentar meus dez filhos, porque eu não sei onde ele (o marido) está, e mesmo se ele estivesse por perto, estaria muito velho para trabalhar', diz.

RAÇÃO DE MILHO - Algumas das crianças mais velhas frequentam a escola local. As meninas de cinco anos se revezam para cuidar de Baraka e Prince, de cinco meses, enquanto sua mãe está fora cuidando de jardins ou lavando roupas para os vizinhos. Dennis, de 11 anos, recebeu uma bolsa para frequentar uma escola privada próxima, enquanto seu irmão gêmeo, Duncan, cuida da criação de gado de um professor aposentado. Duncan recebe uma ração mensal de milho como pagamento por seu trabalho, e isso é o que alimenta o resto da família. Apesar de ajudar a família com a bolsa a Dennis, a diretora da escola St Iddah Academy critica a mãe. 'Esta senhora deveria ter feito uma esterilização após descobrir que os homens a estavam usando e descartando', afirma Margaret Khanyunya.

Bulynia diz que não se arrepende de nada e que considera seus filhos como 'uma bênção de Deus'. Mas ela admite que passou, sob relutância, por uma esterilização, por não poder lidar com mais nenhuma criança. Foi contra o desejo de minha igreja', conta. 'Sou católica. Quando tomei a decisão, pedi o perdão de Deus. Estou segura de que Deus entende e vai me perdoar por fazer isso', disse.

O que realmente a deixa contrariada, ela diz, é a ausência de seus gêmeos mais velhos, hoje com 17 anos. Ela chora ao relatar seu último encontro com os filhos, há dois anos, quando eles foram circuncidados, em uma cerimônia que marca o rito de passagem da adolescência à vida adulta. Na cerimônia, cada pai precisa entregar o filho para os anciãos da comunidade fazerem a circuncisão. 'Fui convidada ao evento e me pediram duas vezes para apontar meus filhos entre o grupo de 30 garotos', diz. 'Nas duas vezes apontei para os garotos errados, e meu coração ainda aperta a cada vez que penso naquele dia.'

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/01/queniana-enfrenta-fama-de-amaldicoada-apos-ter-6-pares-de-gemeos-2.html

domingo, 23 de janeiro de 2011

COMO MELHORAR A EDUCAÇÃO BRASILEIRA – Parte final

A qualidade da liderança é um atributo decisivo do sucesso de qualquer organização, seja ela um time de futebol, uma empresa ou um país. Em educação não é diferente: a administração escolar – tanto no nível das secretarias quanto na direção de uma escola – é o terceiro item fundamental na melhoria do nosso ensino, e conclui uma trilogia de artigos sobre o tema. Divido este artigo em duas partes. Na primeira faço um levantamento do que a literatura empírica aponta como sendo fatores importantes de uma administração escolar virtuosa. Na segunda explico porque muitos desses fatores não têm aplicabilidade no quadro atual d educação brasileira.

ANTES DE COMEÇAR, um alerta: a literatura empírica, econométrica, ainda está longe de conseguir identificar a totalidade de fatores que compõe o professor perfeito. Apesar dessa ignorância, há muito que já se sabe, e é disso que vamos falar.

O QUE DEVE FAZER um bom administrador escolar? Um fator importante é ter a casa em ordem. Isso começa pela infraestrutura: paredes, telhados, eletricidade. Uma escola limpa também tende a ter alunos que aprendem mais. É importante que todas as salas tenham quadro-negro, cadeiras e carteiras para os alunos. Não faltar material de ensino também é positivo. Duas instalações que toda escola deveria ter: laboratório de ciências e biblioteca. É bom ter não apenas uma biblioteca na escola, mas uma versão menor dentro de cada sala de aula. Em termos de tecnologia, um implemento que faz a diferença é a copiadora. E é só. A literatura sugere que a presença de computadores não está associada à aprendizagem, tampouco instalações mais suntuosas, como ginásios esportivos, teatros, etc. (o que não quer dizer que essas áreas não façam bem ao espírito, mas estamos nos atendo aqui àquilo que é relevante para o aprendizado do aluno).

OUTRA DECISÃO importante da liderança escolar diz respeito ao regime seriado versus progressão automática. O único estudo que conheço que comparou esses dois sistemas, no Brasil, chegou à conclusão que eles são indiferentes para o aprendizado do aluno. A discussão calorosa sobre o tema é muito barulho por nada.

EM TERMOS DE administração financeira, compete ao administrador evitar os dois maiores desperdícios de recursos: diminuir o numero de alunos em sala de aula e aumentar o salário de professore. Ambas as variáveis não promovem mais aprendizagem.

A PARTE MAIS importante da administração escolar, porém, não tem a ver com prédios e sistemas, mas com pessoas. Cabe ao líder a tarefa-chave de recrutar, treinar, motivar e reter os bons profissionais e identificar e afastar os maus.

PRIMEIRO, OS DIRETORES. Conheço apenas dois estudos quantitativos sobre o impacto de mecanismos de seleção de diretores: um deles mostra que diretores eleitos têm alunos com desempenho melhor do que aqueles indicados por políticos, e o outro sugere que essa variável é indiferente. Nos últimos anos, liderados por Minas Gerais, alguns estados e municípios têm adotado um sistema que envolve a realização de provas qualificatórias e, num momento seguinte, eleições. Parece-me um processo superior à eleição ou indicação política, mas ainda é preciso mais pesquisa sobre o tema.

HÁ UM ESTUDO apenas sobre remuneração do diretor no Brasil, e ele indica que o salário do diretor tem correlação com o aprendizado do seu aluno.

QUESTÃO IMPORTANTE: o número de horas-aula. Aqui a pesquisa se divide: nos países desenvolvidos, o número de horas é insignificante para aprendizagem. Nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, é importante. Como a diferença estatutária de numero de horas-aula entre o Brasil e os países da OCDE não é muito significativa (800 horas aulas/ano para nós versus 900, em média para eles), creio que a conclusão mais importante a tomar é que é preciso fazer cumprir a jornada mínima de horas-aula no Brasil. Inês Miskalo, coordenadora de #Educação Formal do Instituto Ayrton Senna, que atende milhões de alunos em todo o país (nota: este colunista é membro di IAS), atesta que, na prática, a carga horária prevista em lei não é cumprida. “Há lugares em que ter 600, 650 horas-aula por ano é visto como sucesso”, diz ela. Antes de pensarmos em ensino de tempo integral, portanto, devemos nos certificar de que a carga prescrita em lei seja cumprida. Já nos traria um bom salto no aprendizado. O problema do absenteísmo docente está relacionado a essa questão: as pesquisas são praticamente unânimes em mostrar que professores que faltam mais têm alunos que aprendem menos.

POR QUE OS professores faltam às aulas ou, em última instancia, abandonam o magistério? A pesquisa vem sugerindo que fatores não financeiros têm enorme importância na motivação dos professores de seguirem na carreira. Um fator importante é o “clima escolar”: em escolas em que há responsabilização coletiva por resultados, em que os professores se sentem partícipes de uma tarefa compartilhada e importante, os resultados são melhores. Outro resultado: em escolas em que os alunos aprendem mais e onde há menos alunos de minorias ocorre menos abandono de professores. Esse achado é triste porque contrasta com outro achado importante: o impacto de um bom professor é desproporcionalmente maior em um mau aluno e em alunos de baixo nível socioeconômico. A melhor política, portanto, seria alocar os melhores professores para as piores escolas, mas isso aumentaria o risco de que muitos deles abandonassem a carreira, especialmente os mais jovens e mais preparados. Alem de melhorar o clima escolar, há outro recurso efetivo que pode ser usado pela direção de uma escola: programas de “mentoring”, em que professores “em risco” e os mais jovens recebem a orientação de um mentor. : um professor mais experiente que ajudará nas frustrações e desafios que a carreira enseja. É importante que o bom professor não se sinta solitário e isolado, que seja constantemente amparado. A literatura mostra que os anos de carreira de um professor não tem relação com o aprendizado de seu aluno, mas os anos de permanência em uma mesma escola, sim.

OUTRO FATOR importante para o sucesso de uma escola é que o diretor tenha autonomia para contratar e demitir seus professores. As pesquisas revelam que é extremamente difícil identificar um bom professor no momento de sua contratação, mas algumas característica vem se mostrando importantes: o professor tem estudado a área que vai ensinar na faculdade e ter cursado uma universidade concorrida produz efeito no aprendizado do aluno. Ter feito pós-graduação, não. Um estudo recente nos EUA indica que a utilização de um conjunto de variáveis cognitivas e não cognitivas dos futuros professores leva a resultados positivos. Em termos de regime de trabalho, ao contrario dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais.

FINALMENTE, a meritocracia: os estudos vêm mostrando que os planos que pagam bonificações a professores individuais não tem resultados significativos. Aqueles em que o pagamento é feito à escola, sim. Faz sentido: ensinar a tarefa e seqüencial e coletiva. Se o aluno tem uma péssima aula de matemática na segunda série, dificilmente se sairá bem na quarta.

MAS MUITO DO QUE vai acima ainda não pode ser implantado na maioria das escolas brasileiras. Em primeiro lugar, porque, conforme o ultimo levantamento do Inep sobre o tema, quase 60% dos diretores de escolas são fruto de indicação política. Na maioria dos casos são apadrinhados por políticos: “Chega ano eleitoral e um terror, todos têm medo de ser demitidos. O diretor vira cabo eleitoral de seu padrinho”, diz Ilona Lustosa, da Fundação Lemann, focada na área de gestão escolar. “No primeiro ano (do mandato) não se faz nada, pois o governo está voltado a corrigir os erros de seu antecessor. No último, também não, pelo medo do que vai ocorrer depois. E, mesmo no meio, o diretor sofre o impacto da eleição da outra esfera (estado ou município), que freqüentemente causa mudanças de pessoal”, confirma Inês Miskalo. Em segundo lugar, porque mesmo os bens intencionados são despreparados: não há nenhum curso de graduação em administração escolar, e até na área de pós-graduação a oferta é mínima. Em terceiro, porque na maioria dos estados o diretor é um funcionário público com estabilidade na carreira, praticamente indemissível, sem nenhum incentivo lógico a ter grande performance no cargo. (Nos últimos cinco anos, por exemplo, só dezessete diretores foram exonerados em todo o estado de São Paulo; na atual gestão da rede municipal de São Paulo, apenas dois.). Em quarto, porque o diretor de escola é um asfixiado pela burocracia sem fim, e acaba sendo mais um preenchedor de formulários do que um líder pedagógico ou motivador de pessoas. Em quinto, porque na maioria dos sistemas o professor não tem incentivo para pensar no aprendizado do aluno, muito menos para ir ensinar em áreas de risco. E, finalmente, porque os diretores não têm controle sobre a variável principal do processo educacional: não podem contratar bons professores ou demitir incompetentes.

ESSE QUADRO é assim porque a função mais importante de uma escola para as lideranças políticas é servir de cabide de empregos e fonte de poder político através da influencia que uma escola tem sobre a comunidade. O aprendizado dos alunos importa menos. Enquanto for assim, não haverá literatura empírica que resolva.

Fonte: ISOCHPE, Gustavo. Como melhorar a educação brasileira – parte final. Revista VEJA. Edição 2200. ano 44. nº 3. 19 de janeiro de 2011. São Paulo. Brasil.